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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Agronotícias

Mato Grosso pode ter centro de pesquisas para produção de gado

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Um centro de pesquisas aplicadas à produção de gado de corte pode transformar Mato Grosso em um polo tecnológico. A proposta requer investimento de R$ 2,1 milhões e visa organizar a cadeia produtiva da carne no Estado.

O projeto foi elaborado pelo pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Rodrigo Pacheco, e apresentado aos produtores da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT) na segunda-feira (9), na sede da instituição, em Cuiabá.

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“Temos uma cadeia produtiva muito antiga, com mais de 160 anos, porém, ela ainda não é madura se comparada com Estados Unidos e Austrália, onde todos os integrantes, entre eles produtores e frigoríficos, trabalham conjuntamente pelo mesmo objetivo”, explicou Pacheco, apontando este como um dos importantes desafios do centro de pesquisas.

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Doutor em Zootecnia pela Universidade de São Paulo (Unesp) Botucatu com ampla experiência na área, ele explica que é possível mudar este cenário, como aconteceu em 2005 com a cadeia de produção do arroz mato-grossense, que hoje possui 85% dos produtos encontrados nas gôndolas dos supermercados produzidos no estado.

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“O caminho é a exportação e não o canibalismo interno, mas para isso, é necessário que os produtores tenham uma postura visionária, de enxergar união de esforços entre as instituições públicas, privadas, frigoríficos, pecuaristas e universidades”, acrescentou o palestrante.

Como contrapartida do Governo do Estado, a Empaer vai disponibilizar uma área de 208 hectares, em Nossa Senhora do Livramento. A construção inclui espaços de confinamento, maquinário, benfeitorias, pastagem, centros de manejo e o projeto. A atuação prevê a participação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac). “Nosso pesquisador tem expertise em novos projetos e projetos especiais, por isso quis trazê-lo para ter esta primeira conversa com os produtores”, frisou o presidente da Empaer, Cândido dos Santos Rosa Júnior

Para o presidente do Sindicato Rural de Cuiabá, Jorge Pires de Miranda, além de fomentar as áreas de pesquisa, a proposta tem condições de viabilizar formação de mão de obra qualificada em Cuiabá e Várzea Grande, onde residem mais de 1 milhão de habitantes. “Vamos tirar pessoas da clandestinidade, gerar emprego, renda e oportunidades”.

Também avaliou positivamente Normando Corral, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), que aposta no protagonismo do setor produtivo para alavancar ainda mais a economia e o desenvolvimento de Mato Grosso. “O conhecimento é sempre algo bom, porque agrega valor ao nosso negócio e também promove melhor condição de vida às pessoas”.

Esta é a segunda rodada de palestras promovida entre abril e maio pela ACNMT, que conforme o presidente Mario Candia, quer estimular cada vez mais o produtor a participar e melhorar suas práticas. “Com isso, vamos agregar mais informação, tecnologias e, claro, maior rentabilidade”.

No dia 23 abril, esteve na associação o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Jaboticabal, Flávio Dutra Resende, que é pesquisador doutor na área de zootecnia, que aposta na criação de um selo de origem e de qualidade para criar um nicho de mercado para a carne produzida no estado. Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do país, com aproximadamente 30,3 milhões de animais, dos quais 80% desse total da raça Nelore.

As novas tecnologias visam promover melhorias em diversas áreas, como genética, de aditivos alimentares, sistemas de produção e melhoradores da qualidade de carne. Tudo reflete em melhores padrões de carcaça, terminação de gordura, idade dos animais a serem abatidos, qualidade, acabamento e maciez da carne. No mesmo espaço vão estar quem gera tecnologia e também o produtor rural, para que essas ideias sejam usadas mais rapidamente no campo e promovam de fato a melhoria na qualidade da carne mato-grossense.

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