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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Agronotícias

Indígenas protestam na Câmara dos Deputados contra ferrovia Sinop-Pará

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Durante seminário realizado nesta terça-feira na Câmara dos Deputados para discutir a viabilidade da Ferrogrão – que deve ligar Sinop a Miritituba (PA) e servirá para o escoamento de grãos – lideranças indígenas protestaram contra possíveis intervenções em seus territórios. Promovido pela Comissão de Meio Ambiente, o evento debateu os “Dilemas e desafios para a sustentabilidade de uma grande obra de infraestrutura na Amazônia”.

Lideranças indígenas presentes ao seminário disseram que querem ser ouvidas logo, até para poderem argumentar contra a obra. Alessandra Korape, do povo Mundaruku, disse que as construções que já existem na região estão alterando o ecossistema local. “Nós que temos que pescar, sair de madrugada, não pegamos nem dois peixes. Mas por que que tem só isso? Porque estão invadindo o rio Tapajós, está cheio de portos. Tem que passar dois ou três dias agora pescando para sustentar os nossos filhos”, disse Korape.

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Segundo as lideranças indígenas, 19 povos vivem na região da ferrovia e a obra vai ampliar o desmatamento porque será acompanhada de outras intervenções como estradas vicinais.

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Representante do governo garantiu às lideranças indígenas presentes no seminário que elas serão ouvidas assim que houver certeza de que a obra tem viabilidade financeira. Tarcísio Freitas, da Presidência da República, disse que a Ferrogrão ainda não está definida, pois são necessários investidores privados que queiram colocar R$ 13 bilhões na obra.

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“O problema todo é o seguinte: a Ferrogrão não é uma realidade ainda. E nós não sabemos se será. E toda vez que a gente vai à comunidade para dizer ‘vamos fazer isso, vamos fazer aquilo’, nós vamos criar expectativas. Nós vamos gerar expectativas. E não é interessante gerar expectativas sem ao menos saber se a obra vai sair.”

O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) disse que é preciso evitar os erros da usina hidrelétrica de Belo Monte, construída em território paraense. “Altamira (no Pará) é a cidade mais violenta do mundo depois dos impactos gerados tragicamente, desastrosamente. 25 ações do Ministério Público para tentar o quê? Mediar aquilo que estava sendo contratado, as condicionantes que foram acertadas simplesmente não foram cumpridas”, observou Jordy.

Leonardo Minaré, da Associação dos Produtores de Soja, defende a construção da Ferrogrão e a melhoria das condições de escoamento de mercadorias no país. Segundo Minaré, a soja representa 14% das exportações do Brasil. Mas, enquanto o produto aqui é enviado para a China a 104 dólares a tonelada; nos Estados Unidos, o custo é de 56 dólares.

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