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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Lixo Hospitalar

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Após veicular o artigo "Lixo e saúde", na última semana, fui instigado para ir mais a fundo nesta questão e resolvi escrever o este artigo, na certeza de que o mesmo possa estimular algumas pessoas, principalmente gestores públicos a refletirem de uma maneira mais crítica em relação a um tema bastante negligenciado em nosso país, inclusive em nosso Estado e nossa capital.

O termo lixo hospitalar refere-se na verdade aos resíduos produzidos por serviços e estabelecimentos de saúde em geral: hospitais, clínicas, postos de saúde, consultórios medicos, dentários, laboratórios, bancos de sangue, funerárias, IML, pronto socorros ou mesmo lixo doméstico quando alguma pessoa esteja recebendo tratamento de saúde em domicílio. Assim, a terminologia mais adequada deve ser resíduos dos serviços de saúde.

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Esses resíduos representam apenas uma pequena parcela do volume de resíduos sólidos produzidos em qualquer país. No caso do Brasil no máximo 3% do total em torno de 5 mil toneladas/dia ou 1,8 milhão de toneladas ano. Mas o seu poder de contágio e consequências pode ser um verdadeiro desastre para a saúde pública e o meio ambiente.

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Nos útlimos anos diversas matérias e reportagens especiais foram produzidas sobre este tema por veículos de comunicaçao escrita e televisiva mostrando ao leitor e expectador um quadro grave e vergonhoso em que se encontra nosso país. Em todas as regiões, Estados e cidades, grandes, medias, pequenas ou mesmo em regiões metropolitanas a produção, coleta, transporte e destino final desses resíduos estavam e continuam em total desacordo com as normas técnicas do setor e em descumprimento da legislação em vigor, inclusive resoluções de organismos internacionais (ONU, OMS, OPAS etc) que nosso país se comprometeu a cumprir e a fazer cumprir. Mas boa parte continua letra morta.

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A omissão e conivência das autoridades é gritante, além do silêncio de outros organismos, inclusive estabelecimentos particulares e públicos de saúde, que preferem fechar os olhos para não verem os crimes que estão cometendo contra a saúde pública e o meio ambiente.

Estudos técnicos indicam que 72% das cidades no Brasil jogam lixo hospitalar em locais inadequados e junto com outros tipos de lixo. Mesmo que diversos organismos internacionais considerem que apenas 20% dos resíduos dos estabelecimentos de saúde podem gerar problemas sérios, esta parcela foi responsável, por exemplo, por 21 milhões de casos de infecção por virus causador de hepatite B (32% dos novos casos registrados em 2000), dois milhões de hepatite C, 260 mil de HIV e milhões de outros casos de doenças infecto contagiosas decorrentes de contato com tais resíduos.

Incluem-se entre os resíduos dos serviços de saúde: material radiativo (vide caso do césio em Goiânia, Marrocos, Argélia e México entre outros); lixo infecto-contagioso, material perfurante ou cortante; material patológico ou anatômico (sangue, restos de partes humanas fruto de cirurgias, fezes,urina,meios de cultura); material químico ou farmacêutico, medicamentos vencidos, mercúrio, roupas utilizadas por pacientes com doenças infecto-contagiosas (vide o caso da ‘importação" de lixo recentemente dos EUA para cidades do Nordeste).

O problema é que este lixo , quando não é adequadamente tratado e gerenciado, acaba afetando não apenas os trabalhadores que coletam e transportam e os catadores que se misturam com porcos, cães, ratos e urubus nos lixões de onde retiram sua sobrevivência e as vezes até mesmo a comida diária, como também as pessoas que trabalham em estabelecimentos de saúde, os pacientes, seus familiares ou até mesmo vizihos.

Tendo em vista a gravidade da situação imagino que autoridades como Ministério Público( denominado fiscal da Lei), Parlamentares, gestores públicos, lideranças comunitárias, sindicais e entidades da sociedade civil, também veículos de comunicação e trabalhadores e profissionais da área da saúde devam voltar mais a atenção para a realidade de seus municípios e Estados, com o objetivo de darem uma resposta `a altura do desafio que o lixo hospitalar impõe `a sociedade em geral. País desenvolvido é aquele que trata de fato e corretamente seus resíduos e não apenas legislação que ninguém respeita!

Juacy da Silva é professor universitário, mestre em sociologia, colaborador do Só Notícias
Blog www.justicaesolidariedade.zip.net
[email protected]

 

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