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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Vamos mostrar a força dos municípios

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É preciso que não confundamos a proposta de criação de novos municípios com divisão do estado de Mato Grosso. Uma situação é antagônica da outra. Enquanto a emancipação político-administrativa de distritos vai proporcionar o aumento de repasses da União e o acesso de serviços essenciais a comunidades que se encontram longe das sedes, a divisão do Estado fará com que Mato Grosso, hoje, perca divisas.

O momento agora é retomar o processo de crescimento com a criação de novos municípios no território mato-grossense, que se torna uma necessidade. Enquanto Minas Gerais com uma extensão territorial de 586.528  km² possui 853 cidades, Mato Grosso que é o terceiro maior estado do país, com 903.357  km², tem apenas 141 municípios. A perda de autonomia dos Estados para emancipar distritos, desde 1996, trouxe sérios prejuízos para o nosso estado e decretando a falência de municípios.

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De lá pra cá, conseguimos, por meio de medidas judiciais, criar 16 municípios, do qual apenas Boa Esperança do Norte voltou a ser distrito. Com longas distâncias para chegar até a sede, a população de comunidades é privada ou têm grandes dificuldades de acessar serviços essenciais, como escola, posto médico, água, coleta de esgotos, energia elétrica, comunicação, segurança.

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É o caso do distrito de Espigão do Leste que já tem uma população de aproximadamente seis mil habitantes e está localizado a mais de 220 quilômetros da de sua sede, o município de São Félix do Araguaia. Sem falar que, percorrer este trajeto é fazê-lo na estrada de chão. Em Peixoto de Azevedo não é diferente. O distrito de União do Norte fica distante a 80 quilômetros e possui 10 mil moradores, número de habitantes superior a de muitas cidades do Brasil, inclusive, do nosso próprio estado. Estes são apenas algumas das situações apontadas, dentre vários casos frequentes.

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Somente em Mato Grosso, são 56 pedidos de emancipação, dos quais, atualmente 20 distritos têm plenas condições de ser alcançarem sua autonomia política e administrativa. Neste sentido, é extremamente visível como a omissão do Congresso Nacional em regulamentar a EC n. 15, de 1996 tem travado o desenvolvimento de Mato Grosso. Nem mesmo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), os senadores e deputados federais se manifestaram a fim de encontrar uma solução para que se volte a criar municípios no país. É culpa também dos representantes dos estados e municípios que se renderam diante desta inércia e não pressionam o Governo Federal. Para este, situação confortável, já que sem novos municípios, sobra mais para a União na divisão do bolo tributário e faltam recursos na estruturação dos municípios.

Não dá mais para aceitar essa situação de forma passiva. Neste sentido, no próximo dia 15, vamos realizar uma reunião para discutirmos a criação da Associação Mato-Grossense das Áreas Emancipandas e Anexadas (Amaea), entidade que será composta por representantes de distritos a fim de dar legitimidade para o ingresso de um mandado de injunção junto ao STF, uma vez que o Congresso Nacional não vota a regulamentação.

Por isso, acredito que o momento agora não é de dividir o estado. Imagina que, se dividirmos o estado com o atual número de municípios, significará repartir os poucos recursos que recebemos. No Pará, as projeções mostram que dois dos novos estados terão que receber ajudar da União, pois o que arrecadaria seria menos do que o necessário para cobrir as despesas. Porém acredito que havendo uma discussão neste sentido no Congresso,  talvez o Governo Federal descubra o que tem acontecido nos estados.

Em Mato Grosso, uma saída seria as Secretarias de Desenvolvimento Regionais com autonomia orçamentária, no qual o Governo do Estado estaria mais presente nas regiões. Em outros estados como Santa Catarina e Rio de Janeiro a iniciativa tem sido positiva. Seria uma grande ilusão a divisão do estado neste momento, sem que não seja retomada a autonomia dos Estados de criar municípios.

José Riva, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa

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