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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Energia, desenvolvimento e geoestratégia

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O consumo de energia tanto pode ser visto como um indicador de desenvolvimento dos países quanto condição imprescindível para que possa ocorrer o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida da população. O acesso as diferentes fontes de energia, principalmente a elétrica indica o nível de desenvolvimento. Quanto maior for o consumo per capita de energia tanto maior será o índice de desenvolvimento.

Com toda certeza o mundo enfrenta pelo menos cinco grandes desafios e dependendo de como cada país e região enfrentam tais desafios e a capacidade que os mesmos tenham de superá-los dão a medida exata tanto do desenvolvimento quanto da estabilidade política interna e internacional. Esses cinco desafios são: produção e consumo de energia; de alimentos, acesso e uso adequado da água, o enfrentamento dos desastres naturais e, finalmente, a redução dos conflitos tanto internos quanto internacionais (guerras civis ou entre países e coalizões de países). Todos esses desafios têm um denominador comum que é o meio ambiente que deve estar na ordem do dia ou na agenda de todas as sociedades.

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Diversas instituições tanto internacionais quanto nacionais de diferentes países há um bom tempo vêm realizando estudos e utilizando modelos matemáticos ou de outra natureza e constroem cenários para orientar as ações publicas e privadas tanto para prevenirem os resultados negativos relacionados com esses desafios quanto para balizarem tais ações de forma a maximizarem os resultados esperados.

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Tanto em termos de produção de bens e serviços quanto da população o eixo do desenvolvimento mundial há algumas décadas e de forma mais efetiva nas próximas décadas deverá estar situado no continente asiático, tendo como principais atores a China, a Índia, o Japão e a Coréia do Sul, além de outros países da região. Aos poucos o peso econômico, demográfico, industrial, científico e tecnológico passa a ter uma feição oriental.

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Conforme o cenário elaborado pela EIA – Agencia Internacional de Energia (sigla em inglês), cujo horizonte é o ano de 2035 e o ano de referência de elaboração o ano de 2007 constata-se perfeitamente essa mudança de eixo econômico mundial. Em 2007, o PIB dos países da OECD que inclui o G7 e também os demais países europeus era de 35,4 trilhões de dólares ou 57,7% do PIB mundial enquanto a Ásia, exceto o Japão que integra o G7 e OECD, tinha um PIB de 14,3 trilhões de dólares ou 22,7% do PIB mundial e a America Latina e Caribe de 4,1 trilhões de dólares ou 6,5% do PIB mundial.

Em 2035 as projeções indicam, respectivamente, países da OECD 63,5 trilhões ou 41,3%; Ásia 59,0 trilhões ou 38,4% e América Latina e Caribe com 10.3 trilhões ou 6,7% do PIB mundial. Os índices de crescimento anual do PIB neste período serão de OECD 2,0%; Ásia 5,2%%, América Latina e Caribe 3,4% e a economia mundial deverá crescer 3,2% ao ano.

Como o crescimento econômico está diretamente relacionado com o consumo de energia, ou seja, quanto maiores forem os índices de crescimento econômico maiores serão também os índices de consumo de energia. Neste aspecto reproduz-se a mesma tendência apontada anteriormente quanto ao deslocamento do eixo econômico. A série dos dados refere-se a um período mais longo, iniciando em 1971 até atingir 2035 e podem-se detalhar alguns países para efeito de análise.

Em 1971 a Europa e a América do Norte consumiram 62% de toda a energia comercializada no mundo, caindo para 39% em 2010 e deverá ser de apenas 29% em 2035. Enquanto isto, a China em 1971 consumiu apenas 5%, passou para 18% em 2010 e deverá ser de 21% em 2035. Em relação à Índia a participação foi de 1% em 1971; 4% em 2010 e 7% em 2035. Aqui cabe uma observação que entre 2035 e 2050 a Índia deverá superar a China tanto em índices de crescimento econômico quanto em tamanho da população e possivelmente em tamanho da economia. O impacto do crescimento econômico da China e da Índia deverá ser significativo em termos de consumo de energia, principalmente pelo fato de que nesses dois países e na África subsaariana concentram 80% da população que não tem acesso sequer a energia elétrica e de uma elevada proporção de habitantes que também passam a fome. O total de pessoas que não tinham acesso a eletricidade no mundo em 2009 era de 1,4 bilhões e das pessoas que estavam acometidas pela fome em 2009, segundo a FAO, era de 1, 023 bilhões.

Esse imenso contingente de pessoas tem o direito a vida digna e, portanto, deverão ser atendidos por políticas públicas e referencia em termos de incorporação ao processo de desenvolvimento. Diante desses desafios cabe aos governos e respectivas sociedades refletirem de uma forma profunda quanto aos rumos que pretendemos dar ao futuro. Por mais que algumas pessoas ainda continuem pensando em seus países como um Oasis o mundo atual e mais ainda no futuro deverá estar estreitamente interligado. Caminhamos para a verdadeira aldeia global em que o que acontece em um país ou região afeta, tanto positiva quanto negativamente todos os demais países. Mais do que nunca precisamos de governantes capazes, com visão de futura e postura de estadistas. O tempo da mediocridade política está passando rapidamente!

Juacy da Silva, professor universitário, titular aposentado UFMT, mestre em sociologia, colaborador de Só Notícias.
[email protected]

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