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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

2010, 2011! (final)

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Encerro esta série de três artigos voltando os olhos para Mato Grosso, depois de uma breve pincelada sobre os papéis do Brasil diante de si mesmo e do mundo pós-globalizado. Mato Grosso precisa ser compreendido à luz da história recente, sob pena de ficarmos apenas na superfície das suas possibilidades atuais e futuras.

A separação de Mato Grosso do Sul, em 1979, determinou o nascimento de um novo estado que se firmou na capacidade de reação e de empreendedorismo de sua população. Era o momento em que começava a consolidação dos antigos e dos novos mato-grossenses vindos para a ocupação da Amazônia. O espírito empreendedor foi capaz de empurrar os governos estaduais pós-1979 na direção do futuro. A pecuária extensiva do pantanal minguou, mudou para o cerrado, a agricultura de subsistência virou agronegócio, a extração de madeira para exportação bruta acabou.

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Uma nova expressão empresarial, casada com visões mais modernas da gestão pública estadual colocaram Mato Grosso numa forte expressão dentro da economia brasileira. Um exemplo: no discurso de posse como governador em 1995, Dante de Oliveira se queixava da fraca participação da economia estadual, com 0,64% do PIB brasileiro. Em 2008 chegou a 1,72%. Não é tanto, mas o PIB de R$ 6,5 bilhões de 1995 alcançou oficialmente pelo IBGE R$ 53 bilhões em 2008, com estimativa (não oficial) de R$ 63 bilhões em 2010. Foi um crescimento e tanto!

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Leia tambémO Brasil produz como em 1958

A crise financeira mundial iniciada em 2008 com pesados reflexos no Primeiro Mundo, traça novos cenários que levam a crer na transferência gradual da produção de alimentos e de biocombustíveis para o Brasil. Na medida em que isso ocorrer teremos mudanças muito grandes.

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A revista "Agroanalysis", da Fundação Getúlio Vargas publicou na edição de agosto de 2010 um documento contendo todas as propostas dos setores ligados ao agronegócio brasileiro, incluindo a Federação das Indústrias de São Paulo, para os três candidatos presidenciáveis. Lá se disse textualmente que na próxima década, o Brasil será responsável por 50% do abastecimento das principais commodities de alimentos consumidas no mundo. Estimativas apontam que o Centro-Oeste deverá produzir 60% desse volume, e que Mato Grosso sozinho produzirá 50% delas.

Colocado na balança das possibilidades, isso indica cenários surpreendentes nos próximos anos, a contar de 2011, certamente. Por isso, não se pode enxergar o futuro pelo ângulo da visão estreita de curto prazo. Serão novas indústrias de processamento de alimentos e de biocombustíveis, além do aporte incalculável de capitais nacionais e internacionais em busca desse filão líquido e certo. Hoje seis das principais "tradings" mundiais processadoras de alimento seis já operam em Mato Grosso. Delas se espera ampliações dos negócios e a chegada de outras e de novos negócios para atender a esses cenários. Não se fala aqui na evolução da Copa do Mundo de 2014, com sua dinâmica própria.

Encerro este artigo desejando que o governador Silval Barbosa, que assumiu o governo do estado em 1º. de janeiro, opere a partir de 2011 uma gestão que atenda a esses cenários e antecipe as demandas prováveis que assediarão a nossa realidade estadual. Parece-me, também, muito oportuno lembrar Lulu Santos na sua canção "Como uma onda", onde profetiza: "Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa. Tudo sempre passará…" Feliz 2011 prá nos todos!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
[email protected]

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