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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

2014 e 2016

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Uma das vantagens de se ter mais de 50 anos, é ter vivido bastante e ter visto muitas coisas acontecerem. Digo isso diante da escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016. É, realmente, emocionante. Conheci o Rio de Janeiro ainda na infância. Era o coração do Brasil. Lá estavam o governo do país, a capital intelectual, econômica, e a essência brasileira. São Paulo era uma cidade de negócios que dependia muito do Rio e não tinha a importância de hoje, adquirida depois que a capital do Brasil transferiu-se para Brasília, em 1960.

As olimpíadas de 2016 trazem junto o reconhecimento da importância do Brasil no mundo. Aquele Brasil do carnaval carioca dos anos 50 não existe mais. Hoje o Brasil é uma potência mundial, queiramos ou não nós brasileiros com a nossa baixa auto-estima.

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Um mundo novo se abre diante do Brasil com episódios como esse da escolha do Rio de Janeiro. Do mesmo modo que para Mato Grosso abre-se um mundo novo com a escolha da capital para sede da copa do mundo de 2014. E nós aqui nesse trópico quente torcendo contra, doidos para que alguma coisa ruim aconteça e não dê certo, só pra termos assuntos nas rodas de cerveja e nas rodinhas de amigos.

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Contudo, não adianta. A maré quando vem, vem mesmo! O Rio de Janeiro seguramente sairá da maré de horror em que se encontra e vai começar a retomar aquele charme e importância dos anos 50. O Rio é muito rico em história. Como Cuiabá. A capital de Mato Grosso cheira a história. Dos anos 70 para cá teve que mudar de cara muitas vezes por conta da chegada de milhares de migrantes vindos de todo o Brasil em busca de um sonho novo com a interiorização lançada pelo presidente Juscelino Kubitschek, o mesmo que criou Brasília. As não perdeu o charme histórico, e um certo ar provinciano-metropolitano

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Queiramos ou não, Brasília e Cuiabá acabaram tornando-se cidades gêmeas, na medida em que Brasília influenciou profundamente os destinos cuiabanos. Do mesmo modo que Brasília afundaria o Rio de Janeiro nesse horror atual de empobrecimento e de perda de identidade.

A copa do mundo para Cuiabá e as olimpíadas para o Rio de Janeiro, trarão a reconstrução de uma identidade histórica, acopladas num mundo moderno e de enormes transformações.  As cidades que sairão desses dois eventos sairão dezenas de anos à frente do tempo atual. Cuiabá e o Rio de Janeiro têm em comum laços históricos. Os cuiabanos ligavam-se ao Rio, estudavam lá, casavam-se lá e viajavam pra lá. O próprio falar cuiabanos carrega traços cariocas nos “erres” e nos “xis”.

Agora o  tempo junta tudo e traz um cenário de imensas oportunidades baseado no marketing dos esportes, fenômeno que hoje carrega e transforma boa parte da economia mundial.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
[email protected]

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