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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Vamos salvar nossas crianças

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Recentemente, uma notícia divulgada pelo UNICEF despertou um sentimento de indignação em mim e em muitos outros cidadãos que lutam a favor das crianças e dos adolescentes neste país. A notícia falava a respeito da decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ de manter a sentença do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, que absolveu o ex-atleta José Luiz Barbosa e seu assessor Luiz Otávio Flores da Anunciação, acusados de exploração sexual de duas crianças. O STJ alegou que a prática não é criminosa, porque o serviço oferecido pelas adolescentes não se enquadra em crimes contra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ou seja, o de submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual.

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul absolveu os réus do crime de exploração sexual de menores por considerar que as adolescentes já eram prostitutas. E ressaltou que haveria responsabilidade grave caso fossem eles quem tivesse iniciado as atividades de prostituição das vítimas. O argumento usado é o de que os acusados não cometeram um crime uma vez que as crianças já haviam sido exploradas sexualmente anteriormente por outras pessoas.

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Quando penso que já chegamos ao fundo do poço em alguns assuntos, como a exploração sexual de crianças e adolescentes, vejo que o poço não tem fundo. Já me manifestei outras vezes a respeito desse assunto, que considero uma das principais mazelas da nossa sociedade, e não poderia ficar calada desta vez.  A exploração sexual de meninas e meninos representa uma grave violação dos seus direitos e ao respeito à sua dignidade humana e à integridade física e mental.  A criança ou adolescente não pode ser responsabilizado por qualquer tipo de exploração sofrida, inclusive a exploração sexual.

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Repudio qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes.  Desde que assumi o Lar da Criança, abrigo que cuida de crianças e adolescentes com idades entre zero e 12 anos, tenho presenciado todo tipo de horror que se possa imaginar cometido contra cidadãos tão indefesos. Criança não é ‘coisa’, é pessoa, e precisa ser respeitada e protegida, precisa ser vista como prioridade absoluta.

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Quero fazer um alerta também a respeito de outra questão. Aumenta a cada dia os casos de crianças que são encaminhadas para o Lar por conta da violência doméstica gerada pela droga, seja ela ilícita ou lícita, no caso do álcool. Os relatórios são assustadores e na maioria das vezes são as próprias crianças que nos contam que o pai, a mãe ou o padrasto são usuários de drogas. Em todos os casos a violência que a criança sofria está associada ao consumo de entorpecente ou bebida.

Essas crianças estão aprendendo dentro de casa o que é violência enquanto deveriam estar aprendendo o verdadeiro significado do amor. Precisamos proteger nossas crianças, por isso é importante continuar trabalhando na prevenção e na conscientização da sociedade, porque é importante amparar e dar assistência quando a violência ocorre, mas o fundamental é evitar que ela ocorra.

Neste sentido, temos trabalhado no fortalecimento, articulação e mobilização das Redes de Proteção Social de Crianças e Adolescentes, na perspectiva do desenvolvimento de ações conjuntas com Ministério Público, Judiciário, Conselhos Tutelares, Polícias Civil e Militar, Polícia Rodoviária Federal e diversas instituições governamentais e não-governamentais que lutam contra a violência infanto-juvenil.  O objetivo principal é fortalecer a atuação dos agentes e técnicos que trabalham no enfrentamento dessa problemática.

A denúncia é outro ponto fundamental dentro deste trabalho. Peço a todos que denunciem os casos de violência contra crianças e adolescentes. É importante que as pessoas saibam como agir ao perceberem qualquer tipo de violência, ainda é muito grande a falta de informação entre a população, principalmente quando a questão é o anonimato da pessoa que quer fazer uma denúncia. Para isso existem os Conselhos Tutelares, onde não há Conselhos Tutelares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias. Outros órgãos que também estão preparados para ajudar são as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente e as Delegacias da Mulher. E tem ainda o disque 100, serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Por isso, faço um apelo às professoras, aos vizinhos da frente, do lado, de trás, aos parentes, amigos e todo e qualquer cidadão que convive com crianças. Vamos evitar a omissão.

Mas o ponto principal é a reestruturação da família, da representação das figuras paterna e materna, sua responsabilidade frente aos novos desafios da educação familiar, a aceitação para mudança de comportamentos e de valores, o repensar sobre as funções e importância de cada um na família, a interferência de parentes, além do diálogo. Esses são alguns passos fundamentais também para a inibição da violência, principalmente aquela que tem como vítimas crianças e adolescentes.

A tarefa é árdua, pois o terreno a ser trabalhado é o da formação dos valores, ou propriamente, da recomposição dos valores, mas não podemos desanimar. Todos podem contribuir de alguma forma, seja pela denúncia, seja trabalhando na prevenção e no resgate dos valores familiares. Vamos salvar nossas crianças.

Terezinha Maggi é secretária de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social

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