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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Jarbas e Simon, as escolhas do PMDB

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Na semana passada analisei a marolinha das declarações do senador Jarbas Vasconcelos, na sua súbita autocrítica, ao afirmar que o PMDB é um partido corrupto. Corrupção é um mal que assola não apenas os partidos, mas o Estado de uma maneira geral. E isso gera cultura, afeta os mercados, a tão decantada iniciativa privada. Qual a origem, por exemplo, da crise financeira mundial a que estamos todos submetidos, senão a corrupção de meia dúzia de parasitas do mercado financeiro americano?!

Mas, no artigo anterior, puxei o viés de que as críticas do quase irretocável Jarbas não eram necessariamente honestas, pois visavam tão somente azedar um pouco as articulações no interior de seu partido para levar o PMDB a uma aliança eleitoral, em 2010, mais próxima do PT. Jarbas, como se sabe, desejaria uma aliança em prol de José Serra.

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Anteontem (09.03), durante aula inaugural que proferiu aos estudantes da PUC de Campinas, o irretocável senador Pedro Simon tratou do verdadeiro problema do PMDB, ao menos o seu principal: a falta de projeto de poder.

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Ao seu estilo contumaz e loquaz, Simon afirmou que “a cúpula do PMDB se vende por qualquer dois mil réis” e que o partido não tem projeto para chegar à Presidência da República, mas sim para “conseguir alguns carguinhos”. A declaração, repercutida por toda a imprensa paulista, está no blog do próprio senador (http://senadorpedrosimon.blogspot.com/). E acrescentou: “O problema do PMDB – grave, mais do que os outros -, é que o PT é um partido que quer chegar ao governo, o PSDB é um partido que quer chegar ao governo e, no PMDB, a cúpula se vende por qualquer dois mil réis e não quer chegar no governo, quer pegar uns carguinhos”.

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Pedro Simon sabe que o debate mais importante ao PMDB é este, muito mais que a marolinha do quase irretocável Jarbas. Fundado em 1966, como MDB (a resistência consentida aos militares), e refundado com a sigla atual em 1980, o PMDB há tempos ostenta o título de maior partido brasileiro, possui na atualidade o maior número de filiados, de prefeitos, de deputados estaduais e federais no país, detém a maior bancada de ministros no governo do presidente Lula e dirige as duas casas do Congresso Nacional. Mas nunca elegeu um presidente da república!

E ao que parece, nunca elegerá. E por uma razão muito simples: o partido se recusa a desenvolver um projeto concreto de poder, preferindo o jogo parlamentar de dar apoio em troca de cargos.

Além de seus próprios quadros, que são inúmeros, a conjuntura aponta para uma possibilidade real de o partido de Tancredo Neves, UIysses Guimarães e Teotônio Vilela buscar a filiação de Aécio Neves e disputar pela primeira vez na vida, com densidade e viabilidade eleitoral, a presidência da República. Mas, isso, se o projeto partidário de poder tomasse o lugar das disputas entre as castas internas por poder.

Essa característica peemedebista acaba por afetar seu comportamento em outros estados. Como em Mato Grosso. O partido tem pela primeira vez desde a eleição de Carlos Bezerra uma chance real de disputar o governo de Mato Grosso, com o nome do vice-governador Silval Barbosa.

Político habilidoso, diplomata, conciliador, cuja principal característica é cumprir os acordos, Silval tem conseguido, por exemplo, conviver com os atritos entre o governador Blairo Maggi e seu partido. E sem ser atingido, até o momento, por fogo amigo. Talvez alguns estilhaços lhe tenham acertado. Mas, apenas escoriações.

Os últimos movimentos até que são interessantes, segundo se lê nos jornais. A bancada estadual, que nunca foi situação tampouco oposição – ou seja, que tem sido genuinamente peemedebista! – teria concordado em deixar de fazer o jogo dos interesses meramente pessoais para finalmente compartilhar o jogo partidário. Carlos Bezerra até teria ralhado com Zé do Pátio, o menino maluquinho da sigla, na intenção de resolver um fosso tosco que restou da eleição de Rondonópolis entre o prefeito e o governador. Briga de perde-perde. Pirraça de meninos mimados.

Mas, no fundo, ainda não resolveu a questão principal: tornar Silval Barbosa oficialmente seu pré-candidato a governador, buscar o apoio do governador Blairo (simpático a Silval) e do PR (que acaba seguindo Blairo), mas não condicioná-lo, e buscar construir uma aliança representativa com os demais partidos da base da coalizão estadual. Curiosamente, esse malabarismo da relação do partido com o governo criou uma condição que permite ao PMDB, e somente ao PMDB, trabalhar também possibilidades de aliança com os grupos de oposição, caso não se viabilize a aliança na coalizão governista.

Ou seja, as condições de o PMDB viabilizar a eleição de Silval Barbosa ao governo são as melhores da história do partido em Mato Grosso, desde a eleição de Bezerra, em 1986. Resta saber se vai prevalecer aqui o espírito do quase irretocável Jarbas ou a do irretocável Simon.

Kleber Lima é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso

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