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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Empoçamento de liquidez

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Temos acompanhado os esforços faraônicos dos governos das principais economias mundiais no sentido de estabilizar os mercados financeiros, especialmente no que tange a irracional volatilidade das Bolsas, nutrida pela falta de confiança generalizada no setor bancário entre as instituições financeiras, efetivamente, e entre os próprios clientes aplicadores.

Dentro de uma obviedade ímpar e até mesmo elementar, o primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, dita as regras do jogo. Ainda que muito perspicaz e propositalmente tímida, a atuação dele tem sido vital na condução ou na recondução do mercado como um todo ao eixo da tão sonhada normalidade.

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Gordon opinou fazendo os países da zona do Euro acatarem medidas de proteção e de garantia do funcionamento das instituições e, talvez, a salvação do capitalismo duramente atingido na sua essência, o capital. Dentre essas medidas vamos comentar a principal, qual seja, a participação do Estado na composição acionária dos bancos privados, o que parece um filme nostálgico de volta ao passado, entretanto, é isso efetivamente que está acontecendo.

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O governo adquire ações preferenciais sem direito a voto, mas com direito a dividendos. Foi assim no passado e será sempre assim no presente e no futuro, afinal, o sistema tem que ser salvo, não é mesmo? Bom, apesar de necessitar de uma boa dose de coragem, que nesse momento eu diria que coragem e desespero estão como “carne e unha”, o que me chama a atenção é o porquê dá solução vir do outro lado do mundo e não de dentro da cozinha dos nossos co-irmãos “tios sam”, epicentro da crise.

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Será que além de terem um sistema financeiro fragilizado de regras, ainda vão deixar claro para o mundo que também não conseguem enxergar o óbvio. A quebra do Leman Brothers (banco de investimento americano) foi uma “barbeiragem” sem precedentes. Como sempre, George Bush se apresenta no palco depois do show e ainda quer aplausos.

No Brasil, estamos assistindo a tudo com muita atenção e, como time treinado e conduzido por bom técnico, a estratégia é vencer o jogo nos erros do adversário ou blindar a casa criando mecanismos de defesa extraídos das falhas de terceiros. O Banco Central já impõe medidas acertadas na direção de dar liquidez ao sistema, socorrendo a agricultura brasileira, indústria e comércio, bem como para manter o nível de consumo e oferta de crédito aos consumidores. Ocorre que “gato escaldado tem medo de água fria”.

Mesmo com o afrouxamento do compulsório dos bancos, ou seja, com cerca de R$ 160 bilhões a disposição dos bancos, direta e indiretamente esses recursos estão empoçados ou represados no caixa dos bancos, que preferem comprar títulos do próprio Governo Federal, retroalimentando a crise. O Banco Central precisa coibir isso e agir com rigor, obrigando as instituições financeiras a colocar o dinheiro no mercado, sob pena de seqüestro desses recursos.

Eder de Moraes Dias é Secretário de Fazenda de Mato Grosso

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