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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Pai

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PAI… Faltam palavras. Mas resta um muito obrigado a ti e a Deus! Quando criança, sempre pedia a ELE que não levasse nem o senhor nem a mãe antes que eu ficasse adulto e tivesse condições de suportar a perda daqueles que me deram a oportunidade à vida. Deus atendeu esse pedido: eu cresci, mas a perda é quase insuportável. Sinto-me uma criança indefesa. Mais difícil ainda é estar longe no momento que em tu partes. É meio-dia, do primeiro dia de julho, um dia de domingo, dia que era para ser de descanso e celebração, não era pra ser de dor.

Ainda estou em Sinop, mas espero chegar a tempo de te ver fisicamente pela última vez – infelizmente de uma forma que ninguém jamais quer ver uma pessoa tão querida, tão próxima, tão presente na nossa vida e que influenciou tanto em nossas escolhas. É nessas horas que a gente percebe, com muito mais clareza, a grande importância da família na educação dos filhos. Esse, talvez, seja esse o verdadeiro sentido da tradição: transmitir ensinamentos e, por que não (?), conselhos para a próxima geração. Ficam teus conselhos. Fica tua história. O tempo e a doença matam o homem físico, mas não matam, pai, o registro que deste à história de tua vida: de menino da roça, de ferroviário (desde o tempo das marias-fumaças!), de bom filho, irmão, esposo, pai, amigo. Na política, simpatizante do Vargas, que chamavas de “finado Getúlio”, como se fosse um amigo próximo.

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Tu, pai, que foste grande parceiro dos teus companheiros da Viação Férrea, dos teus vizinhos da Vila Ferroviária, deixas saudade em vários cantos, trilhos e ruas de pedra da histórica Cruz Alta. Cidade contada em tantas línguas pelas histórias de Érico Veríssimo que foi o cenário onde o senhor, pai, em casa, ao redor do fogão à lenha, ao som do minuano que soprava e invadia frestas da janela e das paredes de tábua, me aconselhava: “Estuda guri. O estudo é o maior patrimônio que vou deixar pra vocês”.
Mas, verdadeiramente, pai, o que fica é o exemplo. Espelho-me em ti e na minha mãe Amélia: a vida de vocês e a possibilidade de viver que me deram é o maior patrimônio que deixas.

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Valeu pai! Valeu Toríbio Pinheiro da Silva. Você foi o que todo pai deve ser para um filho: um herói. Foi e continuará sendo, porque são dos heróis que dependemos para um mundo melhor. E, assim como a mãe, tu és o meu chão, meu porto-seguro. Recorrerei a ti e aos teus ensinamentos nos conselhos que darei aos meus filhos e nas escolhas que ainda farei, para seguir os caminhos que tu apontaste. E assim, segue: a história do tempo, que cria as raízes – e do vento que, ao soprar, paradoxalmente, ao invés de arrancá-las, as torna resistentes.

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João Batista Lopes da Silva é professor em Sinop

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