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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

O agronegócio da madeira

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No segundo dia da Bienal dos Negócios da Agricultura, evento promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), durante o debate sobre floresta nativa, floresta plantada e as tendências do mercado da madeira, o palestrante Fernando Castanheira foi categórico ao dizer que a madeira foi no ano passado o segundo produto mais exportado, transformando o Estado no 5º maior exportador e o 10º no ranking internacional de exportadores de madeira.

Os números apontam que o setor madeireiro é de suma importância para a economia mato-grossense, porém ultimamente este tem enfrentado sérios entraves para o desenvolvimento desta atividade de produção.

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Acredito que um dos grandes problemas desse setor é a falta de credibilidade perante as instituições governamentais e órgãos governamentais, onde o setor industrial da madeira é extremamente marginalizado, isto porque ainda está arraigada em nós, brasileiros, a cultura extrativista que foi imposta como comportamento cultural desde 1500.

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Não é da noite para o dia que se faz a passagem de um modelo de desenvolvimento para um modelo de desenvolvimento sustentável. Não é por imposição de leis e regulamentos que se muda um comportamento cultural. Para promover a mudança é necessário um processo de sensibilização, que demanda tempo.

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Dentro deste contexto foi inserida a dimensão ambiental nos negócios, mostrando a possibilidade da obtenção de resultados econômicos com o cumprimento de todas as conformidades legais.

Para contribuir com a implementação dessa dimensão econômica e ambiental dos negócios, o Governo do Estado de Mato Grosso criou o Programa de Desenvolvimento do Agronegócio da Madeira (Promadeira) como instrumento de fomento à atividade madeireira. Dentro deste contexto a questão ambiental foi implementada com o conhecimento do interesse do mercado mundial por eco-produtos, ou seja, por produtos que são originados de empresas que desenvolvem atividades econômicas procurando minimizar os impactos negativos ao meio ambiente e a terceiros.

Outra questão coligada à dimensão ambiental é a responsabilidade social. A empresa tem que ter compromissos não só com o bem estar e a qualidade de vida de seus funcionários, mas com as comunidades locais.

Como o Programa, desde a sua criação, exige como pré-requisito a conformidade legal fiscal e ambiental das empresas, os empresários tiveram uma resistência inicial, porque acreditavam que fosse uma ‘pegadinha’ do governo para que tivesse um controle maior sobre as empresas acarretando num possível prejuízo e penalizações. Desta forma, os empresários acreditavam que o Promadeira não iria atender às necessidades do setor.

Mas com o trabalho de sensibilização feito pela Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia, as empresas começaram a aderir. E hoje nós temos no Promadeira 311 empresas em conformidade legal (fiscal e ambiental), das quais nenhuma delas foi apontada pela Operação Curupira.

Sobre o Promadeira descreverei no próximo artigo os resultados da primeira avaliação feita deste Programa que foi criado pela Lei nº 7.200/ de 1999 e regulamentado pelo Decreto nº 1.239 no ano 2000. No próximo artigo poderemos detalhar os resultados positivos da inserção da dimensão econômica social e ambiental nos negócios da madeira.

José Juarez Pereira de Faria é superintendente de Indústria e Comércio da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme).

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