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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Nossa solução é a mobilização

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A região historicamente chamada de Baixada Cuiabana reúne alguns dos piores indicadores sócio-econômicos de Mato Grosso, e, por extensão, do Brasil. Isto considerando 13 municípios: Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Santo Antonio de Leverger, Barão de Melgaço, Acorizal, Rosário Oeste, Barra do Bugres, Jangada, Nobres, Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia.

Exceto Cuiabá e Várzea Grande, todos os demais municípios da região são classificados como de baixa dinâmica econômica, ou, o que é pior, como em regressão econômica.

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Essa classificação pode ser encontrada, por exemplo, no livro Desigualdades Regionais em Mato Grosso, publicado pela Assembléia Legislativa, sob a supervisão do economista Maurício Munhoz e do sociólogo Silvio Monteiro, e organizado pelo jornalista Onofre Ribeiro. Segundo o estudo, a região tem perdido receitas agropecuárias e rebanho bovino, tem baixo Valor Adicionado (um índice substitutivo do PIB), além de ter as menores taxas de crescimento demográfico do Estado, entre outros indicadores.

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Além disso, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios da região também estão entre os piores. Novamnete excetuando-se Cuiabá e Várzea Grande – que têm IDH acima da média brasileira, mas abaixo da média estadual -, todos os demais membros da Baixada têm IDH abaixo da média nacional, sendo que alguns municípios estão abaixo da média do Rio Grande do Norte, a pior do país.

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Ainda que seja líder em indicadores positivos na Baixada, Cuiabá, segundo dados do IBGE de 2000, tem mais de 150 mil pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, o que pode resultar, entre outros, do êxodo das adjacências, ou seja, dos municípios circunvizinhos. O que prova, em definitivo, que o problema regional deve ser tratado regionalmente.

Em contraste a estes dados (e muitos outros que poderiam ser citados), a região é o berço histórico de Mato Grosso, reunindo as comunidades mais antigas e tradicionais, tem patrimônio natural valiosíssimo (praticamente todo o pantanal mato-grossense), um comércio forte e o melhor mercado de logística do Estado, além de ser um centro de ensino, lazer, cultura e entretenimento.

Juntos, esses 13 municípios representam uma população de 934.542 habitantes, segundo estimativas do IBGE de 2004. Ou seja, representamos mais de 35% da população de Mato Grosso. Somados, os territórios dos nossos municípios atingem uma área de 81.600 km2, o que representa cerca de 10% do total de 903 mil km2 de MT.

Temos ainda 608.394 eleitores, correspondentes a mais de 33% Colégio Eleitoral do Estado, que nas eleições do ano passado foi de 1.836.140 eleitores.

Este é o contexto no qual lancei recentemente o desafio aos colegas prefeitos da região para buscarmos alternativas econômicas para a Baixada, e reconstruir o caminho do desenvolvimento sustentável e da prosperidade de nossas populações.

Não podemos mais ser vistos pelo Sul e pelo Norte, regiões que estão na outra ponta com grande dinamismo econômico, por causa do agronegócio, como os primos-pobres da família ou os patinhos feios da ninhada.

Em nome destas distinções preconceituosas, muitos chegam ao absurdo de nos tachar como os óbices para o desenvolvimento do Estado, ou como os parasitas da sua prosperidade, como o fazem muitos do que defendem a divisão do Estado.

Somos a mátria de Mato Grosso, que saiu do nosso ventre, e devemos ser respeitados. Não se elege governador ou senador sem os nossos votos. Não haveria pantanal em Mato Grosso se não fôssemos nós. E Cuiabá acaba sendo o grande hospital e a grande universidade do Estado, como Capital que tem recebido grande demanda do interior.

Por isso mesmo lancei junto com o desafio da necessidade da nossa rearticulação e mobilização o nome do colega Wilson Santos, prefeito de Cuiabá, como o nosso líder nesse processo. Acima das diferenças ideológicas e partidárias, reconhecemos no Wilson o político certo no lugar certo e no momento histórico adequado para liderar essa cruzada pela recuperação econômica, social e política da Baixada Cuiabana, mãe de todos os mato-grossenses.

Além e acima dos indicadores econômicos, nosso desafio é político. E nossa solução começa pela nossa mobilização articulada, fixando todos os nossos interesses comuns como pauta prioritária nossa, ao lado das questões do dia-a-dia das nossas administrações. Nesse caso, não podemos ficar olhando apenas as árvores, precisamos vislumbrar a floresta, antes que só restem galhos secos e terra arrasada.

 

Faustino Dias Neto é prefeito de Santo Antonio de Leverger.

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