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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Cooperativismo de crédito e o poder de transformar

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Celebramos neste dia 20 de outubro o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito. Para 2022, o tema definido pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU) é “Empodere seu futuro financeiro com uma cooperativa de crédito”. Temos muito a comemorar no Brasil e no mundo com esse modelo que tem o propósito de gerar prosperidade às pessoas.

O cooperativismo financeiro nasceu no século 19, na Alemanha. Hoje, lá e em muitas nações desenvolvidas, congrega mais de 30% da população usufruindo dos seus benefícios. São quase 500 milhões de associados ao redor do mundo. Raiffeisen e outros precursores viam no modelo uma forma de mitigar as desigualdades sociais, eliminar a pobreza no campo e na cidade, baseados em princípios de ajuda mútua e solidariedade.

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No Brasil, esse movimento tem 120 anos. Iniciou no Sul do país, se espalhou para todas as regiões e avança fortemente no Norte e Nordeste. O padre suíço que trouxe o modelo das cooperativas financeiras ao Brasil, Theodor Amstad, inspirou por aqui uma grande onda de criação de cooperativas, alicerçadas nos mesmos princípios defendidos na Europa.

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Dados do Banco Central colocam as cooperativas de crédito, juntas, em 6° lugar no ranking das maiores instituições financeiras do país, atrás do Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander. São mais de 9 mil agências, a maior rede do país, com previsão de abrir mais de duas mil agências nos próximos 3 anos.

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Em estados como Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo, as cooperativas já representam mais de 20% do mercado local de depósitos ou da carteira de crédito. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia já são as marcas mais lembradas pela população quando se fala em instituição financeira.

No Brasil já são mais de 16 milhões de associados. Em muitos estados a adesão se aproxima de padrões europeus – 30% da população associada. Os ativos financeiros do Sistema já ultrapassam R$ 500 bilhões.

Em termos de relevância é incontestável a contribuição das cooperativas na inclusão financeira de pessoas e municípios (em contraste com o fechamento crescente de agências bancárias), no financiamento ao crédito rural (2º maior agente do país), no crédito às micro e pequenas empresas (liderando o número de operações do Pronampe) e no crédito ao consumo, além do volume de crédito para energia fotovoltaica.

Com essa relevância, o cooperativismo financeiro já é considerado uma das maiores forças financeiras do país e tem se destacado por promover o desenvolvimento regional, através de seus diferenciais competitivos de agregação de valor com taxas e serviços justos, distribuição de resultados e participação ativa dos associados no dia a dia e nas decisões das cooperativas. Tudo isso atuando de forma genuinamente sustentável, buscando o equilíbrio cada vez maior entre os objetivos econômicos, sociais e ambientais, para o bem-estar de todos.

A maioria das cooperativas são jovens, com menos de 40 anos. Nesta jornada temos muitos desafios e oportunidades. Precisamos nos comunicar melhor com a sociedade, para mostrar os benefícios do cooperativismo e atingir ao menos 20% da população do país (44 milhões de associados), combinado com a expansão física para 100% dos 5.500 municípios, com meta especial para as regiões mais carentes, onde moram as melhores oportunidades e onde fazemos a diferença.

Outros desafios estão relacionados à expansão física e aos meios digitais, com atuação física e digital, o que chamamos de “fisital”, para nos apropriar dos espaços deixados pelos bancos e ocuparmos a fatia que nos cabe nas contas digitais.

E por que não termos a ambição de um mega cooperativismo financeiro digital, com milhões de pessoas intercooperando e compartilhando em rede, visando benefícios mútuos a todos?

Se as fintechs, com seus valores de iniciativa privada foram tão eficazes em engajar milhões de pessoas, as cooperativas, com seus valores, princípios e atuação sustentável que geram impacto social positivo na região, têm muito mais diferenciais competitivos para encantar o público digital, sem perder a essência e os valores cooperativistas.

Parabéns aos 16 milhões de brasileiros que se ajudam mutuamente, que autogerem seus recursos, que economizam taxas e tarifas, melhoram sua condição econômica e têm qualidade de vida cada vez melhor. Parabéns aos que, engajados a uma cooperativa financeira, melhoram a vida dos seus semelhantes e do mundo ao seu redor.

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