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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Alexandre Garcia

Heróis e anti-heróis

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O juiz Sérgio Moro deixou sua vida discreta em Curitiba para ir a uma livraria em São Paulo e foi alvo de manifestação entusiasmada e espontânea de centenas de pessoas que frequentavam o local. Foi reconhecido,  acompanhado da mulher: “É Ele, É  Ele!” E aí vieram saudações de solidariedade: “estamos junto”, “força, juiz!”, “bravo, bravo!”. Logo pessoas lhe entregaram flores brancas. A demanda por justiça e a repulsa à impunidade gerou admiração nacional pelo Juiz Federal de Curitiba, tal como acontecera com Joaquim Barbosa – ainda que a aposentadoria temporã do presidente do Supremo esteja à espera de uma explicação.

Além de heróis juízes, temos também heróis-bandidos, como Roberto Jefferson, que saiu da cadeia nesse fim-de-semana. Ele detonou o esquema do Mensalão que, sem ele,  talvez estivesse vigente ainda hoje. Mais do que isso, derrubou o mais poderoso dos ministros de Lula, José Dirceu, que estava sendo preparado para suceder ao líder petista. A coragem dele abriu caminho para a descoberta também do petrolão – esquema que demonstrou a ousadia de corruptos contumazes que não se assustaram com o mensalão, confiando mais na impunidade vigente. Por ironia, enquanto Jefferson permanecia na cadeia mesmo com câncer no pâncreas,  autores e beneficiados do mensalão já estavam em casa.

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Uma das estrelas da operação lava-jato, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, ensaiou heroísmo na CPI, há poucos dias. Confessou-se corrupto e convidou os políticos a abandonarem a corrupção. Mas se esqueceu de convidar os eleitores a deixarem de eleger corruptos. Aí é que precisa acontecer o milagre de o heroísmo dos eleitores banir da política aqueles que já tenham dado sinal de desvio de conduta. Porque, convenhamos, boa parte dos corruptos detentores de mandato são reincidentes e ainda assim se submeteram às urnas e foram premiados em vez de  condenados. A própria lei da ficha limpa permite que se candidatem se não tiverem tido condenação por colegiado de juízes.

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Imagine se na Alemanha alguma empreiteira reforme de graça uma casa de campo que a senhora Merkel porventura possua na Floresta Negra, por exemplo. No dia seguinte ela está na rua. Aqui, a gente só fica pensando que esquemas gigantescos como mensalão – por votos – ou petrolão – para caixa de partido – não têm chefe; que são exércitos só de soldados e oficiais menores, mas sem comandante. Será que ninguém manda num tesoureiro de partido? Ele tem autonomia?  O comandante certamente não é uma abstrata divindade, nem um marciano. Talvez seja uma eminência parda, que já está na cabeça de todos que pensam, mas ainda não chegou à mesa do Juiz Moro.

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