Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Alexandre Garcia

Feliz Aniversário Brasil

Compartilhe Facebook X Texto

Nesta terça-feira, 7 de setembro, o Brasil faz 188 anos de independência. No mundo de hoje, independência é algo relativo. Cuba, quando se libertou do ditador Fulgencio Baptista, virou dependente da União Soviética; quando a União Soviética acabou, a dependência de Cuba deixou o país isolado e em deterioração. A independência da Venezuela bolivariana só funciona na saliva do tenente-coronel paraquedista Hugo Chavez. Depende do petróleo que os Estados Unidos compram e, sem divisas, já não está conseguindo sequer importar uísque, de que é o principal consumidor latino-americano. O Brasil, dependente de Portugal, mesmo com a Independência, ficou com a cultura assistencialista, patrimonialista, burocrática, aristocrática, que lhe fora imposta por 322 anos. As nossas escolas de samba ainda têm reis e rainhas e coroas na bandeira; o nosso esporte nacional tem rei e imperador.

A propósito, tem gente absolutamente convencida de que Brasil é o nome de uma seleção de futebol. Instalam a bandeirinha verde-e-amarela no carro durante as competições, hasteiam o pavilhão auri-verde nas janelas só durante a Copa do Mundo. O Brasil verdadeiro não é um time de futebol, a não ser que acreditemos nisso. Antes de começar a Semana da Pátria, pus a bandeirinha no meu carro e a Bandeira na sacada de minha casa. Afinal, é a festa de aniversário da minha Pátria. Em todos os países da América Latina as bandeiras vão para as ruas em época de festa nacional.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Talvez isso seja atávico comigo. Quando eu era menino, via meu avô hastear a bandeira no mastro instalado na fachada da casa, todas as manhãs, e arriá-la no fim das tardes, de primeiro a sete de setembro. Nas casas da vizinhança, todos faziam isso. Agora, a Bandeira virou um símbolo de futebol, com o mesmo valor do estandarte do Flamengo ou do Corinthians. Uma espécie de sacrilégio. Agora, em Brasília, só vi um carro levando a bandeira, como o meu. No Rio, vi nenhum. Nenhuma bandeira nos prédios de Ipanema. Sete de Setembro é apenas uma oportunidade de fazer-se um feriadão – que é o eufemismo para matação de trabalho.

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémQuatro anos

Tem gente que pensa que isso é para militar. Santa ignorância! Por que não se fazem mais os bailes da independência? Não se põem mais as fitinhas verde-amarelas na lapela? Vergonha do país roubado, espoliado por políticos que nós mesmos elegemos? Pois este país não é um desenho no mapa; não é um governo; não é sequer uma constituição. Este país chamado Brasil, onde nascemos, onde vivemos, onde vão viver nossos descendentes, não é essas abstrações. O Brasil concreto, real, está vivo. O Brasil somos nós. Se não nos sobra vontade para festejar o País que somos, é porque merecemos fazer torcida só para um time de futebol. Só que não podemos condenar nossos filhos e netos a pagar as consequências de nossa indiferença.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250
Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Alexandre Garcia

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé