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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Alexandre Garcia

Autorize-se

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Semana passada, o ex-presidente da Coréia do Sul se jogou de um penhasco, envergonhado das acusações de corrupção em seu governo. Dias antes, na Inglaterra, o presidente da Câmara dos Comuns, sentindo-se omisso por causa de gastos excessivos dos auxílios-moradia de deputados, renunciou à presidência e ao mandato. O deputado estadual do Paraná, que dirigindo bêbedo e sem habilitação matou dois, acaba de renunciar ao mandato, ainda no hospital. Mas isso não é sinal de que o exemplo possa ser seguido.

Na Câmara de Vereadores de Redenção, Pará, foi autorizada uma festa de cabeleireiros, para promover cosméticos, e o que se viu foi um arremedo de bacanal romana. No plenário, homens dançando de torso nu, mulheres ajoelhadas diante deles, fingindo atos libidinosos – um horror! O evento fora autorizado pelo secretário e pelo presidente do legislativo. Fico imaginando com que se justificaram para autorizar esse péssimo uso do plenário, imaginando que conseguiriam depois se redimir em Redenção…

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Quem sabe tenham pesquisado notícias do mensalão, em que se alugava apoio político no plenário da Câmara Federal e eles julgaram ser coerente ceder o plenário da Câmara Municipal. Quem sabe tenham buscado inspiração no Senado, em que um diretor cede o apartamento funcional para o filho, depois para a ex-nora e depois para outro filho, e o imóvel termina arrasado – e acharam normal ceder a Câmara de Vereadores para o arraso dos cabeleireiros. Talvez tenham imaginado que não haveria mal algum num sexo-evento porque, afinal, no Congresso Nacional, as passagens pagas pelo contribuinte para viagens a serviço estavam sendo usadas para passeios da sogra, da amante, da namorada.

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Antes de autorizar, podem ter feito contas, comparando-se com outros vereadores. Os de Nova Lima, Minhas Gerais, por exemplo, pouco trabalham e ganham 12 mil por mês. E quando se reúnem é para discutir a obra de uma sede de jogo de buraco. Para se garantir, podem ter pesquisado a conduta de outros legisladores, mais experientes e mais importantes. Como o conterrâneo deles, Jader Barbalho, ex-presidente do Senado, que fingiu construir um ranário para justificar empréstimo oficial. Ou de outro presidente do Senado, que se viu envolvido em denúncia de que uma empreiteira pagava a pensão alimentícia para o filho que ele tivera fora do casamento. E se alguma dúvida ainda restava, ela se dilui quando chegou a notícia de que um ex-presidente da República, atual presidente do Senado, recebia auxílio-moradia mesmo morando na mansão oficial de presidente do Senado. Aí, não hesitaram mais:
– Autorize-se!

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