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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Presunção da inocência: um direito de todos

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em reafirmar a presunção de inocência como princípio constitucional deve ser comemorada por toda sociedade. Isso porque não é possível em um estado democrático de direito a mitigação de direitos fundamentais em nome de uma falsa sensação de justiça. Para se compreender a grandeza deste julgamento, é de fundamental importância compreender exatamente o alcance da decisão é quem são as pessoas realmente beneficiadas por ela.

Ao contrário do que se propaga, a maioria formada na Corte vai garantir a preservação dos direitos justamente das pessoas mais pobres e não das mais abastadas. Dos quase 5 mil casos passíveis de revisão, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a grande maioria é formada por pessoas defendidas pela Defensoria Pública, ou seja, pessoas que não possuem recursos financeiros para custear sua própria defesa.

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Quando ingressam nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil todos os advogados fazem um juramento. Nele, está contida a defesa intransigente da Constituição, linha-mestra do nosso ordenamento jurídico. Ela é clara e cristalina ao dizer que ninguém, pobre ou rico, pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado de uma sentença condenatória, o que em linhas gerais significa que enquanto houver recursos pendentes ninguém pode iniciar o cumprimento da pena.

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A crítica central que se faz à decisão do Supremo, a de que a manutenção da presunção da inocência poderia fomentar a impunidade, não se sustenta ou, pelo menos, não pode ser aceita da forma como é colocada. Ter isso como motivo para cassar um direito fundamental, é o mesmo que aceitar que o Poder Público seja irresponsável com seus gastos e, para conseguir pagar suas contas, aumente os impostos pagos pelo contribuinte. Se ataca o sintoma, não a doença.

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Se o Poder Judiciário é lento em algumas instâncias, ao invés de mitigar direitos é preciso criar mecanismos que o tornem mais célere. Há muitos casos dentro da Justiça de boas práticas que melhoraram e muito o tempo de resposta do Judiciário a demandas da sociedade. Esta é uma luta contínua que, com toda a certeza, traz benefícios duradouros e verdadeiros para todos os brasileiros.

Não se vive em uma democracia plena, como é a brasileira, cassando ou mitigando direitos fundamentais. É preciso que haja, para todos, os mesmos direitos, as mesmas garantias, pensadas, debatidas e aprovadas por nossos constituintes. Presunção de inocência e direito de defesa devem sempre ser fortalecidos, sob pena de, um dia, deixarmos de viver em um estado democrático de direito.

 

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