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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Crianças com Síndrome de Down e a escola: estímulo é a palavra chave

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No dia 21 de março, celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down. Como educadora e psicopedagoga atuante, proponho aqui uma reflexão sobre a inserção de crianças com Síndrome de Down no sistema de educação formal.

É preciso primeiro entender que a Síndrome de Down não é uma doença. De acordo com o Ministério da Saúde, ela acontece quando uma pessoa nasce com um cromossomo a mais em cada célula do corpo e as pessoas com síndrome de Down, ao invés de duas cópias do cromossomo 21, têm 3.

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Antigamente, se acreditava que as pessoas com Síndrome de Down nasciam com uma deficiência intelectual severa e incapacitante, mas hoje sabemos que o desenvolvimento adequado da criança depende, fundamentalmente, da estimulação precoce.

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Nesse cenário, a inserção das crianças com Síndrome de Down em escolinhas é muito importante, estimulando desde bem pequenos o desenvolvimento psicoafetivo e o processo de socialização. Na minha vivência como professora, à frente do Educandário Jardim das Goiabeiras, pude perceber que são muitos os casos de evolução no quadro de alunos até mesmo com graus mais severos da síndrome de Down.

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Avalio que o letramento – aprendizado que está associado às vivências cotidianas, como o nascer do sol, a noite e o dia – é mais importante que a alfabetização, por exemplo; e o letramento adequado é totalmente possível no caso de crianças com Síndrome de Down.

Com estímulo, técnicas corretas, acompanhamento, enriquecimento do ambiente no qual está inserido, incentivo e uma boa dose de carinho, todos são passíveis de desenvolvimento lógico e motor. E o convívio delas com outras crianças no ambiente escolar beneficia a todos.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que crianças que estudaram com colegas com deficiência desenvolveram atitudes positivas relacionadas à tolerância, respeito ao outro e abertura ao diálogo em um grau muito maior do que as que conviveram em ambientes mais homogêneos.

Na função de psicopedagoga, também constato que o trabalho pedagógico, especialmente com crianças com Síndrome de Down, inclui a cooperação da família do aluno – importante e poderosa aliada da evolução motora e cognitiva.

Não podemos esquecer também que a educação pública já conta com o auxílio de Cuidadores de Alunos com Deficiência (CAD) e oferece benefícios aos estudantes com deficiência e às suas respectivas famílias. No entanto, é preciso ainda avançar na democratização do acesso a esse serviço e, sobretudo, torná-lo mais humanizado.

O fato é que as nossas crianças – todas elas especiais e cada uma com a sua singularidade – merecem o olhar atento  e cuidadoso nos espaços educacionais.

Ivete Barros é psicopedagoga e diretora do Educandário Jardim das Goiabeiras, em Cuiabá.

 

 

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