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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Esportes

Flamengo e Vasco começam a decidir hoje a Copa do Brasil

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Os últimos títulos nacionais de clubes cariocas aconteceram em 2000 e 2001, conquistados por Vasco e Flamengo. O primeiro se sagrou campeão da polêmica Copa João Havelange, o outro da extinta Copa dos Campeões. Em 2006, um dos dois acabará com o jejum do Rio de Janeiro: a partir de 21h45 desta quarta-feira, no Maracanã, entra em jogo o troféu da Copa do Brasil, que garante uma vaga na próxima Libertadores da América.

Ídolos maiores de Vasco e Flamengo, Roberto Dinamite e Zico festejaram o bom momento do estado, que volta a ser protagonista em um torneio nacional. “O futebol carioca precisava disso, ter dois clubes decidindo uma competição importante como é a Copa do Brasil. Mas acho que ainda há muita coisa a se evoluir em termos de mentalidade dos dirigentes. Esse título não pode abafar os problemas graves que existem no futebol carioca”, alertou Dinamite, que hoje é deputado estadual pelo PMDB e já foi candidato de oposição a atual gestão vascaína.

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Zico deixou a política de lado para falar somente da emoção que causa uma final carioca. “Uma decisão dessas sempre mexe com a gente, pois coloca frente a frente dois grandes rivais, que representam muito para o Rio de Janeiro. Além disso, é um jogo sem favorito, com resultado imprevisível, ninguém pode prever quem vai ganhar”, comentou o Galinho.

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Mesmo distante dos tempos áureos de Zico e Roberto Dinamite, Ney Franco e Renato Gaúcho, técnicos de Flamengo e Vasco, também enalteceram a decisão entre clubes do Rio de Janeiro. “É uma final inédita. É um clássico que já tem toda uma história no futebol. O Rio e o Brasil estão respirando esse clima de decisão entre dois rivais”, exaltou o treinador do Rubro-negro, sem se aprofundar no mérito da regionalização da Copa do Brasil. “Não vejo dessa forma, mas sim como duas equipes que foram merecedoras de chegar nessa final”, argumentou.

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Ao contrário do colega, Renato Gaúcho explorou, sim, o fato de dois times do Rio decidirem a competição e aproveitou até para atacar o futebol paulista. “Falaram muito mal dos cariocas e a resposta está aí. Não tenho nada contra São Paulo, mas dois clubes paulistas estão fazendo péssima campanha no Brasileiro”, alfinetou, lembrando que Corinthians e Palmeiras estão na zona de rebaixamento do Nacional. Como Ney Franco, o técnico do Vasco está ansioso para o duelo. “Não escondo que a adrenalina está a mil. É uma decisão inédita para o clube e para mim como técnico. Milhões de treinadores gostariam de estar no meu lugar”, orgulhou-se.

No último domingo, mesmo dia em que Corinthians e Palmeiras se enfrentavam no Morumbi para sair do calvário no Brasileirão, Flamengo e Vasco fizeram um clássico sem graça no Maracanã. Após a vitória dos reservas cruzmaltinos por 1 a 0, os rubro-negros esperam que não só a motivação do próximo encontro entre os rivais seja diferente, mas também o resultado. Ney Franco vai usar o suspense como trunfo da equipe da Gávea desta vez.

“Tenho a equipe em mente, mas só vou divulgar nos vestiários”, confirmou o treinador. “O mistério pode até não ter dado certo em alguns jogos e decisões, mas acho importante você poder confundir seu adversário e não vou abrir mão de uma arma como essa num momento desses. O Renato Gaúcho é um treinador muito inteligente e sabe armar bem um time. Quando menos ele souber sobre o Flamengo que vai a campo, melhor para a gente”, justificou.

A expectativa é que Ney Franco mande a campo a formação que perdeu por 4 a 1 para o Paraná na quinta-feira passada, pois foi a que ele treinou durante a Copa do Mundo. O certo é que o Flamengo não terá o meia uruguaio Peralta, vetado por causa de problemas musculares na coxa esquerda. Renato Augusto e Toró, que agradaram bastante no domingo, devem ser mantidos na equipe.

Já Renato Gaúcho não fez mistério e anunciou com antecedência a escalação do Vasco. Seu único desfalque é o volante Ygor, que está suspenso pelo terceiro cartão amarelo e dará seu lugar a Yves. A formação merece o respeito de Ney Franco. “Na verdade, as duas equipes não têm muito que surpreender. O Vasco tem grandes jogadores, como o Morais, que vive um momento muito bom, o Ramon, que é experiente, o Edílson, com um currículo brilhante. Tudo isso bem montado pelo Renato Gaúcho. Não dá para fazer muita surpresa nesse jogo”, reconheceu o treinador rival.

Embora os maiores elogios de Ney Franco sejam para os jogadores cruzmaltinos, esses creditam a campanha do Vasco ao técnico Renato Gaúcho. Ramon, apontado como líder do time pelo próprio comandante, puxa o coro. “Fico feliz com o reconhecimento. Estou tendo a oportunidade de estar em mais uma final e espero vencer”, disse. Mais jovem, o lateral-esquerdo Diego é quem completa. “Faltava alegria em São Januário. O Renato contagiou todo mundo com sua motivação”, disse o garoto, ciente da importância da decisão carioca. “É o jogo das nossas vidas”.

O atacante Valdiram, por sua vez, quer ainda defender a artilharia da Copa do Brasil na final. Ele tem sete gols na competição e é ameaçado pelo meia Renato, do Flamengo, com seis. “Em uma decisão, as chances de gol são escassas e acredito que não vai mudar muito nessa”, previu o jogador do Rubro-negro, que prefere o título à conquista individual. “Vai se classificar para a Libertadores e ser campeão aquele que conseguir aproveitar melhor as oportunidades de gol e transformá-las em vantagem no placar”, analisou.

Independente de quem marcar mais gols, a final que começa nesta quarta-feira já entra para a história como a primeira da Copa do Brasil disputada entre clubes do mesmo estado. Até então, o Flamengo ganhou o único título carioca no torneio, ao bater o Goiás em 1990. Das 17 edições, o Rio Grande do Sul venceu seis, sendo quatro com o Grêmio e uma com Internacional e Juventude. São Paulo tem cinco conquistas – Corinthians (2), Palmeiras, Santo André e Paulista (os dois últimos em cima de equipes do Rio) – e Minas Gerais quatro, todas com o Cruzeiro. Santa Catarina, com o Criciúma, tem uma.

A temporada 2006, aliás, contraria quem já acusava o fim do futebol carioca. Além da final 100% na Copa do Brasil, o estado vê o Fluminense na quarta posição do Brasileiro e, portanto, na zona de classificação para a Copa Libertadores da América. Essa competição já terá um representante do Rio de Janeiro no ano que vem. Só resta definir se será o time da Gávea ou de São Januário, pois desta vez os pequenos clubes paulistas não são mais um incômodo na decisão.

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