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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Jogos digitais e crianças: o risco silencioso que cresce dentro de casa

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A transformação digital avança em ritmo acelerado no Brasil e no mundo, redefinindo relações sociais, comportamentos e rotinas familiares. Entre os grupos mais impactados estão crianças e adolescentes, que hoje passam boa parte do tempo conectados a jogos digitais e plataformas online. O problema não está na tecnologia em si, mas na exposição precoce, prolongada e sem supervisão a ambientes digitais complexos e pouco controlados.

Jogos online deixaram de ser apenas entretenimento. Tornaram-se verdadeiros ambientes sociais, com chats abertos, mensagens privadas, economias próprias, recompensas psicológicas e interação direta com desconhecidos. Para crianças e adolescentes — ainda em formação emocional e cognitiva — esses espaços representam riscos reais e muitas vezes invisíveis aos pais.

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Dados do DataSenado indicam que cerca de 24% dos brasileiros já foram vítimas de golpes digitais, o que representa dezenas de milhões de pessoas. Especialistas alertam que jovens e adolescentes estão cada vez mais presentes nesse grupo, seja como vítimas diretas, seja como alvos de tentativas de aliciamento, manipulação emocional e fraudes financeiras.

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Um dos casos mais emblemáticos é o Roblox. A plataforma reúne aproximadamente 144 milhões de usuários ativos diariamente em todo o mundo, em sua maioria crianças e adolescentes abaixo dos 16 anos. No Brasil, o jogo figura entre os mais populares dessa faixa etária. Apesar da aparência lúdica e infantil, o ambiente permite interações anônimas, conversas privadas, circulação de dinheiro virtual e criação de conteúdos por usuários, ampliando significativamente a superfície de risco.

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O crime digital contra menores raramente começa de forma violenta. Ele se inicia, em geral, por conversas aparentemente inocentes, trocas de atenção, elogios e promessas. A partir daí, surgem casos de chantagem, extorsão, uso indevido de cartões, roubo de contas e exploração emocional. Em muitos episódios, os pais só tomam conhecimento quando o dano financeiro ou psicológico já ocorreu.

Outro fator crítico é o tempo excessivo de exposição. Levantamentos sobre hábitos digitais mostram que crianças e adolescentes brasileiros passam várias horas diárias conectados, especialmente em jogos projetados para estimular permanência contínua e engajamento prolongado. Esse modelo, baseado na captura da atenção, está associado a aumento de ansiedade, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e isolamento social, segundo especialistas em saúde mental e educação.

O aspecto mais preocupante é que a maioria dos crimes digitais envolvendo menores não é formalmente denunciada. Medo, vergonha, chantagem e desconhecimento dos responsáveis mantêm grande parte dos casos fora das estatísticas oficiais, criando a falsa percepção de que se trata de episódios isolados.

Não se trata de demonizar jogos digitais ou impedir o acesso à tecnologia. Trata-se de responsabilidade adulta. Crianças não possuem maturidade suficiente para lidar sozinhas com ambientes digitais complexos, desenvolvidos por adultos e orientados por interesses econômicos claros.

A proteção exige presença ativa dos pais, diálogo constante, limites definidos e uso de ferramentas de controle parental. Liberdade sem acompanhamento não é autonomia — é exposição. Os riscos já estão postos. A tecnologia não espera. E a pergunta que precisa ser feita por pais e educadores é direta:

se algo estiver acontecendo com uma criança hoje, alguém saberia?

Proteger no ambiente digital não é exagero. É cuidado. É dever.

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