Profissionais da saúde entram em greve na segunda-feira em Cuiabá
Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem da rede pública, em Cuiabá, entram em greve na segunda-feira. A paralisação foi decidida em assembleia da categoria, realizada esta tarde. A greve afetará os serviços no Pronto Socorro, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Morada do Ouro, em todas as policlínicas e unidades de Postos de Saúde da Família (PSF). Existem hoje 1.140 profissionais, mas de acordo com o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sinpen), Dejamir Soares, 60% deles são contratados e recebem um salário mínimo, que atualmente é R$ 724.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta da prefeitura, que ofereceu um reajuste salarial de 5% para os profissionais concursados e nenhuma mudança para os funcionários contratados. Segundo a advogada do sindicato, Natália Ramos Bezerra, dia 20 de maio houve os indicativos de greve, que foi assegurado porque logo começaram as negociações com a gestão, porém não houve um acordo. “Isso é um total descaso com a nossa situação. Estamos há meses esperando uma solução, e eles chegam com essa contraproposta. Tudo tem um limite e como não tivemos um consenso, partiremos para a greve”, afirmou o presidente.
Atualmente, os enfermeiros concursados da rede municipal recebem salários de R$ 1760 por 40 horas semanais trabalhadas e querem equiparação aos odontólogos que ganham, no início da carreira, R$ 3 mil para trabalharem durante 20 horas por semana. Já os enfermeiros que trabalham 30 horas ganham R$ 1434,94, e o sindicato defende um valor de R$2,6mil. Neste caso, a prefeitura fez uma contraproposta de R$ 1477,99.

Técnicos que trabalham 40 horas recebem hoje um salário de R$ 952,89. A gestão quer oferecer uma remuneração de R$ 981,48, sendo que o sindicato reivindica um aumento para R$ 1,8 mil. Os técnicos que trabalham 30 horas ganham como os auxiliares de enfermagem, R$ 725. Neste caso a prefeitura propõe um aumento de R$ 8, enquanto que o sindicato exige um salário de R$ 1,5 mil.
Além da reivindicação salarial para os concursados, o Sinpen pede por melhorias também para os contratados, que hoje ganham um salário mínimo e querem um acréscimo de R$ 1.036. “Queremos uma nova tabela salarial para os concursados, uma tabela mais atualizada e queremos um salário mais digno para o contratado. Não é justo eles ganharem isso, afinal conforme a lei 094/2003, eles devem ter um salário base, porém a prefeitura alega que essa lei é ilegal”, concluiu o presidente.
Conforme Dejanir, durante a greve, o efetivo de 30% de profissionais trabalhando será mantido conforme determina a lei que disciplina as greves trabalhistas. “Hoje estamos aqui para dizer que a nossa greve é legal. Trabalhamos sem condições nenhuma. Quem está entrando na greve é para matar ou morrer. Não podemos ter medo”, concluiu o presidente.
Outro lado – A secretária-adjunta de Saúde de Cuiabá, Iracema Queiróz, esteve presente à assembleia. Aos profissionais, ressaltou que a questão salarial é importante, mas não há formas de se resolver tudo em uma única gestão. À imprensa, não quis dar declarações, saindo antes do fim da assembleia.







