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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Sérgio Moro é o cara

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Essa foi a definição atribuída ao ex-presidente Lula pelo presidente americano Barack Obama, que agora pode se aplicar ao juiz federal Sérgio Fernando Moro. Sua atuação firme transformou o juiz no inimigo número um da malandragem política do país.
Nessa sanha de combate ao juiz, bobagens e arruaças atingem o nível da galhofa.

O líder dos sem-terra, José Rainha, disse que o juiz teria feito um favor aos movimentos sociais, ao instigá-los com a condução forçada de Lula para depor à Polícia Federal. O juiz fez o trabalho dele. Ordenou, de acordo com o seu entendimento; e quem tem juízo cumpre; e quem tem mais ainda, obedece.

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Se houve equívoco – do qual todo ser humano é passível – foi processual, não por que Lula seja um ex-presidente da República, como a maioria quer fazer crer. Essa condução coercitiva serviu para quebrar a retórica brasileira de que todos são iguais perante a lei. E devido à reação desarrazoada, comprovou-se que alguns são vistos como mais iguais e não podem ser alcançados pela justiça. Ademais, a inimputabilidade penal teria sido adquirida pelas boas ações do governo em favor dos pobres.
Numa entrevista à Folha de S.Paulo, Gilberto Carvalho, outro conhecido arruaceiro, disse que esperava que o juiz não estivesse mexendo com fogo. Como servidor que foi ou é deveria saber que essas “mexidas” são institucionais e não comportam escolha, ainda mais ao Poder Judiciário, de cuja atuação seus membros não podem dispor.

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Ele também acha normal um amigo ganhar de presente um sítio ou tríplex de milhões de reais. É como se dissesse: se qualquer um ganha, por que só o Lula não poderia ganhar? São exemplos concretos de uma linha de pensamento adotada pelos políticos brasileiros, já viciados em se safar apenas com a utilização de desculpas bisonhas. Agora mesmo, o deputado federal Vinícius Gurgel requentou o já desmoralizado argumento de que, ao assinar uma renúncia, estava de porre ou sob efeito de remédio e por isso a assinatura não confere com outras anteriores do próprio parlamentar.

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Esse contexto bizarro, como se não bastasse, ainda expõe uma característica peculiar de tais políticos, a de atuarem rápido em busca do foro privilegiado. Por quê? Com a resposta as instâncias superiores. Por fim, dando continuidade à cadeia de arruaças, a cereja de todas elas veio do ex-presidente da República, ao afirmar que despertaram a jararaca que existe nele e mandou as autoridades enfiarem o processo no cu, num total desprezo pelas instituições e com um linguajar abaixo da linha da cintura.

Seria bom alertá-lo de que jararaca, na cadeia alimentar, como grande parte dos animais, ora é predadora, ora é presa. E as aves de rapina não se inibem com nenhum veneno. É só uma metáfora, já que ameaça, venha de onde vier, não ajuda em nada.
Sérgio Moro tem conduzido a operação Lava-Jato de forma esplendorosa. Toda tentativa de intimidá-lo, de diminuí-lo, produzirá efeito contrário. Com certeza, ele ficará na história como o divisor de águas entre um país de classes inalcançáveis pelas leis e pela justiça e outro em que a lei é de fato para todos. Isso, realmente, causa uma certa perplexidade em todos e deixa muita gente aturdida.
 
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP – bacharel em direito

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