Tem um estranho no ninho
E daí, se sair um… Vai consigo também seus parceiros mais fiéis. Nestas eleições em Mato Grosso, tem um estranho no ninho!
Formação de grupos políticos não é uma tarefa fácil hoje em dia. A questão é a tal ética da fidelidade que não é muito respeitada.
Um partido político se forma das filiações de muitos seguidores e colaboradores. Se um filiado passar por tempos de aceitação e mesmo depois de ano ainda ter a impressão de que está fora do ninho, então é porque está mesmo em lugar errado. Assim, deve buscar da melhor maneira o seu espaço. Não encontrando, deve pedir para sair, sem mais constrangimentos.
É o mesmo nos casos das coligações… Que nem deveriam acontecer! Mas é assim hoje em dia. Pois bem, se as ideias não demonstrarem serem compatíveis com a ocasião e com o grupo coligado, a tendência é dos membros, principalmente o de um líder que possui personalidade marcante, informar a todos seguidores o que pensa a respeito e tomar a decisão que parecer mais sensata: Sair fora. O que nestes casos, o que mais convém é evitar constrangimentos demasiados e sair com dignidade. Pois o desprezo nesses casos poderia promover ira. Isso mesmo! Ira entre membros e detonar com toda a base aliada, quando houver.
Pois a pior das hipóteses é estar num lugar ou grupo e estar sempre com a sensação de que suas ideias não são aceitas. De que não se tem como opinar, pois não lhe dão a vez de mostrar o que se pensa. De ter a impressão que não pertence aquele conjunto de pessoas, que não demonstram os mesmo interesses em comum.
Ora, a formação de um grupo só funciona com união, respeito, interesses mútuos. Com tolerância a conflitos de ideias, diplomacia nos diálogos, confiança entre todos. Com ideias em comum para favorecimento de toda coletividade.
A boa formação de um grupo depende de união de todos os seguidores em torno do líder que precisa ser agregador e que deve inspirar segurança e favorecer a união, e até postular a proteção a sua gente. Um grupo desse tipo tem que ser acima de tudo gregário, com visão de futuro e interesses futuros para que se prossiga ao longo do tempo.
Pois bem, se o líder que possui a tarefa de unificar diferentes tribos em seu entorno, não possuir o real perfil, certamente poderá deixar que todo trabalho, e todo esforço conjunto se desfaça, mesmo com bons discursos e imbuído de boas ideias que acabam não convencendo a maioria, simplesmente por ser este líder o estranho no ninho. E daí, se sair um… Vai consigo também seus parceiros mais fiéis. Modificando todo o cenário político. Nas eleições em Mato Grosso, parece sempre que tem um estranho no ninho! Ou poderiam traduzir essa mudança em infidelidade partidária? Há quem diga que sim. Mas existem os que defendem a tese de que é preciso essas alterações. Tanto é que se discutiu e ainda será discutida a questão da janela para mudanças partidárias.
Domingos Sávio Bruno é engenheiro florestal em Mato Grosso
[email protected]




