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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Deu no que deu

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Os fatos sugerem que há uma conexão entre a ação de dezembro de 2002 da Polícia Federal chamada Arca de Noé e a de hoje denominada operação Ararath. Este é o monte onde supostamente aportou a Arca de Noé depois do dilúvio.

A ação de 2002, sem contar a questão do jogo do bicho, desmontou o esquema da factoring do Arcanjo. Era o mesmo tipo de jogo da factoring de agora. Dinheiro para campanha e tantas outras coisas.
Todo esse imbróglio começou com a denúncia da esposa do dono da factoring. Chamado a depor, ele aceitou a delação premiada. O que contou nos depoimentos faz o realismo fantástico de Gabriel Garcia Marques parecer coisa de criança. Em política tem que ter sorte, Pedro Taques se livrou de uma companhia complicada.

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Lá atrás era um absurdo fazer negócios com um Arcanjo, já na mira da Justiça, mas ele não abriu o bico. Agora fizeram esses mesmos arranjos com alguém, supostamente confiável, que entregou todo mundo. Nunca se viu tamanha delação como essa no estado.

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Antes como agora deixaram a guarda aberta demais. Deu no que deu. Três governadores tiveram o mesmo problema. Será que o próximo cairá no mesmo destrutivo cipoal?
Já achava que o Blairo deixaria a política depois do mandato de senador. Com mais esse fato, ele vai é tomar conta de seu negócio. Quase, por um tiquinho, não foi autorizada a entrada da Policia Federal na Amaggi. Seria um baque para os negócios da empresa.

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Uma das instituições mais importantes do país, o Ministério Público, teve um nome envolvido nesse caso. O MP vem tendo embates com outras instituições que querem diminuir sua força de atuação e até agora ganhou todas porque tem o apoio da sociedade. Um mínimo de tisnado na sua imagem não seria nada bom.

Esse rolo todo, se nada de novo aparecer, beneficia a candidatura Pedro Taques. Fatos assim atinge mais quem está no poder. Beneficiou também o Jaime Campos. Aquela disputa com o Wellington para a candidatura ao Senado na chapa do Taques praticamente desaparece.

Pessoas do grupo ao redor da candidatura Taques já faziam restrições à ida do PR para lá com receio de perder o discurso de oposição. Com o atual desgaste, agora é que não querem mais mesmo.

Outros da mesma candidatura acham que o Jaime, por ter mais votos no Vale do Rio Cuiabá, não agrega muito na chapa, pois o Taques tem na região seu maior apoio eleitoral também.

Quem sabe se pode arguir que a Dilma pode perder outra vez no estado. O Lula perdeu duas vezes e a Dilma outra. Caminhava para quem sabe mudar a escrita nesta eleição. Com esse baque fica mais difícil para as lideranças políticas que a apoiam pedir votos num estado que tem sido um pouco hostil ao PT.

Alfredo da Mota Menezes é historiador e articulista político.
 

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