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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Aplicabilidade da lei Maria da Penha

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Em meio a um período bastante conturbado no que tange à violência no estado, Mato Grosso sediará um Seminário sobre a "Aplicabilidade da Lei 11.340/06".

O evento será promovido pela Defensoria Pública, em Cuiabá, no próximo dia 13 de Junho, antecedendo à reunião da Comissão de Defesa da Mulher do Colégio Nacional de Defensores Públicos (CONDEGE) que acontece no dia 14.

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Defensores e defensoras públicas que atuam nos núcleos especializados e que representam seus estados na Comissão de Defesa da Mulher junto ao CONDEGE estarão presentes para debater o assunto.

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O quadro da segurança pública da grande Cuiabá é preocupante. Um levantamento feito pela Polícia Judiciária Civil apontou que Várzea Grande, com 250 mil habitantes, é a cidade mais violenta de Mato Grosso. Em 10 anos, 1.038 pessoas foram assassinadas. Proporcionalmente, a Cidade Industrial é mais violenta que a Capital, que tem 600 mil moradores e registrou 1.789 mortes. Nos quatro primeiros meses do ano, 49 pessoas já foram assassinadas na terra de Couto Magalhães.

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Além disso, Várzea Grande faz parte do "G 100", grupo que engloba os cem municípios do Brasil, com mais de 80 mil habitantes e que apresentam alta vulnerabilidade social (dados divulgados pela Frente Nacional de Prefeitos em janeiro deste ano).

Atuando há seis anos junto à Vara de Violência Doméstica em Várzea Grande, não foram raras as vezes que ouvi de algumas mulheres, moradoras dos bairros mais periféricos da cidade: _ quero garantia de vida!

Eu pensanva: "só Jesus na causa peticionando a Deus". Se já era difícil convencer a vítima (residente no bairro São Mateus, Princesa do Sol e outros) que ela estaria protegida com as medidas protetivas, agora, com o homicídio de uma juíza dentro do fórum, praticado pelo ex-marido, fica muito mais complicado.

O assassinato de uma autoridade expõe a fragilidade não só lei Maria da Penha, mas de todas as leis do nosso País diante de pessoas que não possuem alteridade, amor ao próximo, uma educação livre de preconceitos e uma boa formação adquirida no seio de uma família.

Não deixo de defender a lei 11.340/06 e todas as outras que tem o objetivo de coibir a violência de modo geral. Elas ainda nos são necessárias, pois, não conseguimos evoluir o suficiente para viver em sociedade sem desrespeitar os direitos dos outros.

Todavia é preciso aplicar as leis na sua integralidade! O Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Execução Penal, o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha e tantas outras são instrumentos legais que não têm sido aplicados como concebidos por falta de políticas estruturantes.

É preciso investimentos em todas essas áreas e na ausência desses, não resta alternativa senão a propositura de ações contra os entes públicos.

Em fevereiro de 2011 a Defensoria Pública do Estado propôs uma ação civil pública obrigando o Município de Várzea Grande e o Estado a construírem um Centro de Reabilitação para os Agressores, cuja previsão legal é amparada pelo artigo 35 da lei Maria da Penha e pela própria Constituição Federal em seu artigo 5.o, inciso LXVIII, ocorre que após dois anos, o processo ainda não foi julgado.

Tem se tornado regra a prisão em flagrante nos casos de violêcia doméstica ser convertida em prisão preventiva (inclusive nos crimes de ameaça) exatamente para evitar acontecimentos trágicos como o de Alto Taquari.

Portanto, se o agressor da lei Maria da Penha irá cumprir sua pena de forma provisória, ele deveria ficar preso num centro de educação para entender que o seu agir foi indevido.

Em recente visita a cadeia pública de Várzea Grande fui informada que três agentes prisionais foram contagiados por tuberculose. Nove presos estão infectados pelo bacilo e não há previsão de médicos para atender o estabelecimento.

É claro que há presos da lei Maria da Penha no local. Se o agressor se arrepender do que fez e a mulher (mãe, esposa ou irmã) quiser uma reaproximação ainda terá que conviver com o fantasma de doenças como tuberculose e hanseníase. É assim que protegemos nossas mulheres…

Tânia Regina de Matos – defensora Pública (atuando na defesa da vítima e na vara de execução penal)

 

 

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