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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Em Paz !

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Outro dia, Kleber Lima assinou um belíssimo artigo despedindo-se do advogado Marco Túlio, falecido na semana passada. Escreveu com o coração e derramou emoção em sua tinta. Neste domingo, muitos deitaram sensibilidade em seus textos para homenagear Marcos Coutinho, morto precocemente no final de semana.

Confesso que o artigo que mais me chamou a atenção foi o redigido pelo advogado Eduardo Mahon; justamente, por ter dado um enfoque mais eloquente às características humanas de Coutinho, deixando de lado, um pouco, as loas quanto ao caráter profissional deste jornalista.

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De fato, Coutinho foi um pioneiro… Um homem a frente de seu tempo. Apostou na mídia digital e fez de seu ciberespaço um ambiente para o debate e a crítica. Foi, na essência, um repórter investigativo.

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Polêmico, diziam alguns. Hiperativo, diziam outros. Marcos Coutinho sempre foi apaixonado pela vida; por isso mesmo, uma pessoa de extremos. Amava e odiava com a mesma intensidade. Com ele, não havia meio termo. O morno, o silêncio e o insípido eram a metade do caminho para o inferno.

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A vida, para ele, precisava do calor do abraço dos amigos, dos acordes maliciosos do jazz e do tanino de um bom vinho. Foram 47 anos, pouco, do ponto de vista cronológico. Mas, o suficiente para quem sorveu com prazer cada gota de seus dias.

Marcos Coutinho deixa um legado que poderia ser resumido num verso do poeta Vinícius de Moraes: "é melhor ser alegre que ser triste"… Sim, estamos falando do homem, do pai de família, do amigo e do colega de redação. Vamos deixar pra lá a figura polêmica e o jornalista investigativo.

São carapuças que a morte torna mesquinhas, máscaras desfiguradas da sobrevivência; agora o que conta são as boas lembranças. Não mais os títulos, mas sim, os carinhos impressos na pele das pessoas amadas; não mais a soberba, mas sim o sorriso desprotegido de criança; não mais as virtudes, mas sim a inocência cândida da paixão.

Sim! O ser humano. Por mais paradoxal que pareça, a morte nos torna mais humanos. Ali somos a lembrança: o melhor de nós que restou no coração de quem nos ama.

Vá em paz, Marcos Coutinho!

 

Paulo Leite é jornalista e escritor

 

 

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