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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

A OAB é Muito Mais Independência

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A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB tem como finalidade estabelecida no inciso I do artigo 44 de seu Estatuto a defesa da Constituição, da ordem social, a luta pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da Justiça, pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. A OAB para concretizar tais desígnios, para poder se fazer como uma Organização Constitucional Democrática, primordialmente tem que prezar por sua autonomia e independência, conforme ficou estabelecido pela decisão da Adin n.º 3026/2006.

Historicizemos alguns exemplos para comprovar tal conclusão. O primeiro dos casos é a própria atuação da entidade ao combater os arbítrios do autoritarismo das ditaduras no Brasil.

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Não se trata somente do golpe de 1964. Falemos primeiro da ditadura do Estado Novo de 1937 que ao fechar o Congresso, suprimiu as garantias individuais, e tirou a possibilidade de deferimento de habeas corpus para presos políticos, entre outras barbaridades contra a independência dos poderes constituídos. Temos que relembrar que neste momento de angústia institucional, pelo testemunho de Evandro Lins e Silva, a atuação do presidente da OAB, Targino Ribeiro, de indicar os advogados que fariam as defesas dos presos políticos: "soube manter independência exemplar e agiu com a mais escrupulosa isenção e superioridade na indicação dos defensores dos acusados."

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No golpe da ditadura militar de 1964, o Conselho Federal da OAB enfrentou com veemência a corrupção do poder, quando exigiu o fim das torturas, o retorno do habeas corpus, a aprovação da anistia, e a convocação da Assembleia Nacional Constituinte

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Foi o presidente do Conselho Federal da OAB que assinou o pedido de Impeachment do primeiro presidente da República eleito após 25 anos de ditadura. O Dr. Marcello Lavenère Machado, presidente do Conselho Federal da OAB, que em suas próprias palavras disse: "A OAB não poderia ficar ausente, como não esteve nas "Diretas Já", na Assembleia Constituinte e na redemocratização. Primeiro fizemos uma nota dizendo: "temos que apurar". A Ordem sempre diz: "temos que apurar"." Então, vejamos que a independência se fez quando no caso do mensalão, o Conselho Federal da OAB foi a primeiro das instituições da sociedade a clamar por apuração.

Em tais importantes episódios da história recente do Brasil, o Conselho Federal da OAB demonstrou a independência e atuou ao lado da sociedade. Nestes momentos, o único partido da OAB foi a Constituição da República. Jamais encontraremos nas atas do Conselho Federal da OAB uma só palavra que pudesse caracterizar algum tipo de apoio à qualquer ato governamental que seja contra a democracia e a ética. É esta a mais forte das provas que o Conselho Federal da OAB é independente.
Acontece que na Seccional de Mato Grosso perdemos a independência. Temos a nítida compreensão que a vinculação umbilical político-partidária de dirigentes da OAB/MT fez e faz com que sua atuação seja submetida à vontade dos governantes. Para tanto, basta dizer que nestas últimas gestões não existiu nenhum ato, mesmo uma nota à imprensa ou qualquer mobilização, que exigisse apuração em tantos casos de corrupção divulgados nos veículos de comunicação. O silêncio é a prova do comprometimento institucional com o poder.

A história recente demonstra que a capacidade da OAB posicionar-se politicamente em favor da sociedade exige a completa independência de seus membros. É este o propósito de nossa candidatura: independência político-partidária, desvinculação com o poder e comprometimento com a sociedade. Para tanto estamos convocando à luta, todos os advogados e advogadas, para resgatarmos a razão histórica que nos dá a certeza que A OAB É MUITO MAIS INDEPENDÊNCIA.

José Moreno é candidato à presidência da OAB-MT

 

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